segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Giro no Pedal - Os Abomináveis Homens das Neves






Por: Vítor Gonçalves




Já havia alguns dias que estávamos a combinar uma volta com saída da Castanheira. A juntar à vontade de andar de bicicleta, no sábado foi confirmado que a volta teria direito a pequeno-almoço e almoço. A expectativa era grande.





Assim, com (quase) toda a gente a deitar-se cedo, esperei ansioso pela manhã de domingo. Ao contrário dos dias da semana o despertador do telemóvel foi surpreendido com um firme carregar na tecla “parar”. Não houve direito a repetições de alarme. Até estranhou.

Ainda antes da higiene pessoal dirigi-me à janela e desilusão: estava a começar a nevar. Num misto de revolta mas com uma réstia de esperança mandei uma sms “Bom dia, como é? Cai neve. Vamos?”. O feedback foi positivo. Com mais algumas camadas de roupa que o habitual, e novamente com rotineiro sorriso domingueiro na cara, na companhia do restante team lá fomos para a Castanheira.





Durante o caminho a preocupação foi tirar a nossa “bela adormecida” da cama. Após nos ter rogado algumas pragas, já na Castanheira, quando parámos à porta de casa do Carlos, deparamo-nos com um aceno de cabeça do Sr. Albino Martins (um aceno característico que víamos sempre que nos cruzávamos com alguém e que nos perseguiu todo o dia… ). Eis que aparece o Carlos a insistir em “carregar” a bicicleta na carrinha para fazer 50 metros até ao Salão da Casa do Povo. Ainda eram os vapores da noite anterior…

Bem, deixemo-nos de conversa mole, e vamos ao que interessa. Andámos os tais 50 metros (uns de carro e outros de bicicleta), entrámos no Salão da Casa do Povo, e toca a comer sandes de chouriço e presunto acompanhadas por umas minis “fresquinhas”. (agradecimento à Associação de Caçadores da Castanheira pela cortesia). Após declinarmos amavelmente o convite para irmos bater mato na batida à raposa, montámos as bicicletas e fomo-nos a por à prova.



Após uma breve troca de palavras, decidimos sair da Castanheira, pelo caminho das Cabeças, em direcção as Gagos a rolar por um caminho coberto de neve. “Atenção gelo!” gritam os dois primeiros do pelotão. Mas Carlos decidido e destemido entra no gelo. Dois metros andados (ou escorregados), bicicleta no chão e Carlos finalmente conseguiu quebrar o gelo que se fazia sentir. Depois de recomposto e de forma ao passeio não ficar por ali era necessário transpor esse “terrível” lago que se estendia, entre umas exuberantes silvas, por uns 10 metros. Bruno analisa a situação e diz: “Por aqui não passo! Estrago o casaco...” Pega na bicicleta às costas e resolve saltar arame farpado e andar lameiro fora para contornar o obstáculo. O restante pelotão, não sem alguns meterem o pé na poça, lá conseguiu passar.






Passados uns minutos, antes de chegar aos Gagos e já depois de passarmos a Pereira, novo percalço. O Bruno furou a roda da frente. Seria do arame farpado? Não interessa. Filipe, voluntarioso como sempre, prontamente assumiu o comando das operações mecânicas. Bruno restringia-se a passar o material que Filipe ia pedindo. O resto do team, distraidamente, tirava fotos à paisagem coberta de neve. Bruno igualmente deslumbrado, e com uma máquina fotográfica à séria, junta-se ao grupo a tirar fotos. Estávamos encantados, sem frio, e já meios adormecidos a admirar a vista quando do nada surge um trovão “BOMBA!”. Teriam os batedores de mato da batida à raposa chegado àquela zona sem que ninguém desse conta? Cada um fugiu para seu lado. Não. Era o nosso Filipe a pedir a bomba para dar ar à roda. Problema resolvido. Novamente a dar ao pedal em direcção à Miragaia. Rapidamente passamos a Miragaia (era a descer…) e dirigimo-nos para o Safurdão. Ainda passamos por algumas “portas” e cruzamos olhares cúmplices com os “malucos” dos caçadores que aguardavam a saída da caça.



Depois de uma pequena subida em alcatrão chegámos ao Safurdão. Dirigimo-nos para aquele que julgávamos o nosso porto de abrigo: o café da associação. Incrédulos, após várias tentativas para abrir a porta, verificámos que estava fechado. E recomeçava a nevar. Precisávamos de abrigo. Apressadamente escolhemos o próximo alvo: café “O tronco” nas Cheiras.



Alguns minutos mais tarde, já com o cai-bem servido (caiu que nem ginjas…) enxergámos uma folha colada na parede a anunciar a promoção “Super-Bock – 0,65€”. Havemos de regressar…







Novamente na estrada a caminho de Pínzio. Chegámos ao café da Ti Joaquina e, para nossa surpresa, à porta estavam estacionadas mais de uma dezena de bikes. O café estava cheio de btt’istas (parece que foi um fim-de-semana a pedalar para um grupo da Guarda). Entre dois dedos de conversa e depois de duas rodadas de cai-bens chega o meio-dia. Era hora de regressar à Castanheira. Depois de verificar que a Padaria de Pinzio estava fechada lá fomos, já pelo caminho certo, para a Rabaça. Não sei se foi da hidratação, mas quando chegámos á Rabaça e já com a Castanheira à vista, resolvemos descer à Ponte Romana. Quase lá chegámos. Fomos impedidos por um ribeiro que corria pelo caminho… Olhávamos parvamente para a situação quando toca o telefone.





Era o Leonel, Presidente da Associação de Caçadores da Castanheira, a avisar que o almoço ia ser servido. Com ânimo (misturado com algum apetite…) subimos a íngreme encosta até á Rabaça. Nevava intensamente. Paragem ao meio para a foto de grupo. Continuação do esforço. O melhor momento do passeio!



Claro que quando chegámos e para fazermos justiça ao nome que orgulhosamente ostentamos no casaco verificamos que já todos tinham almoçado… Lá ficamos nós sozinhos no 1º andar do “Café Buraco” a saborear uma fantástica feijoada acompanhada pelo belo do tinto. Novo agradecimento aos “malucos” dos caçadores. Um café, um bagaço e saímos para a rua.







Principiámos a arrumar as bicicletas e todos sentimos uma sensação estranha. Começámos a ter frio…








Os Abomináveis Homens das Neves from Bike Vassoura on Vimeo.

8 comentários:

§ C.D § disse...

Excelente o post :)!!!!
LOOOOOL juro, parti_me a rir so de imaginar as cenas de ontem... desde o 'tombo' há 'BOMBA'.. LOOOL
ganda team, gandas bttistas!

GT 3 disse...

BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOMMMMMMMMMMMMBBBBBBBBBAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

GT 3 disse...

Espectáculo pessoal...........

Valeu.........

Ainda me estou a rir...so de imaginar........


Qual frio ....qual quê???

TEMOS DE SER DUROS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Coelho disse...

Contado... ninguém acredita... Só PEDALADO! :D
Fenomenal ambiente, passeio completíssimo: Técnica, Resistência, Performance e Sã Competição.
Grandes momentos,pessoal!
Valeu!!!

leandro disse...

Não sei quais sao mais "malucos" se os caçadores se vocês!Isso é de loucos!lol

Telmo disse...

Vejo que os casacos estão aprovados nas condições mais difíceis... Assim que os exames me largarem da perna volto às voltas e prometo que com melhor condição física para ainda chegarmos pelo menos à hora do lanche!

Coelho disse...

@Leandro: E tu Leandro? Quando perdes esse "Resíduo de Insanidade" e compras Ginga, para nos acompanhares? Humm? ;)

Bruno disse...

Já ca devia andar conosco!!!!